O que é química?
A química está presente em todos os seres vivos. O corpo humano, por exemplo, é uma grande usina química. Reações químicas ocorrem a cada segundo para que o ser humano possa continuar vivo. Quando não há mais química, não há mais vida. Há muitos séculos, o homem começou a estudar os fenômenos químicos. Os alquimistas podiam estar buscando a transmutação de metais. Outros buscavam o elixir da longa vida. Mas o fato é que, ao misturarem extratos de plantas e substâncias retiradas de animais, nossos primeiros químicos também já estavam procurando encontrar poções que curassem doenças ou pelo menos aliviassem as dores dos pobres mortais. Com seus experimentos, eles davam início a uma ciência que amplia constantemente os horizontes do homem. Com o tempo, foram sendo descobertos novos produtos, novas aplicações, novas substâncias. O homem foi aprendendo a sintetizar elementos presentes na natureza, a desenvolver novas moléculas, a modificar a composição de materiais. A química foi se tornando mais e mais importante até ter uma presença tão grande em nosso dia-a-dia, que nós nem nos damos mais conta do que é ou não é química. O que sabemos, no entanto, é
que, sem a química, a civilização não teria atingido o atual estágio científico e
tecnológico que permite ao homem sondar as fronteiras do universo, deslocar-se à
velocidade do som, produzir alimentos em pleno deserto, tornar potável a água do mar,
desenvolver medicamentos para doenças antes consideradas incuráveis e multiplicar bens e
produtos cujo acesso era restrito a poucos privilegiados. Tudo isso porque QUÍMICA É
VIDA.
A química está na base do
desenvolvimento econômico e tecnológico. Da siderurgia à indústria da informática,
das artes à construção civil, da agricultura à indústria aeroespacial, não há área
ou setor que não utilize em seus processos ou produtos algum insumo de origem química.
Com alto grau de desenvolvimento científico e tecnológico, a indústria química
transforma elementos presentes na natureza em produtos úteis ao homem. Substâncias são
modificadas e recombinadas, através de avançados processos, para gerar matérias-primas
que serão empregadas na formulação de medicamentos, na geração de energia, na
produção de alimentos, na purificação da água, na fabricação de bens como
automóveis e computadores, na construção de moradias e na produção de uma infinidade
de itens, como roupas, utensílios domésticos e artigos de higiene que estão no
dia-a-dia da vida moderna.
A água é o elemento
mais abundante em nosso planeta. Ela cobre três quartos da superfície da terra. Mas
apenas uma pequena parte desse volume é potável e está próxima aos centros urbanos.
Sem a química, seria impossível assegurar à população o abastecimento de água. É
através de processos químicos que a água imprópria ao consumo é transformada em água
pura, límpida, sem contaminantes. O dióxido de cloro, por exemplo, é utilizado para
oxidar detritos e destruir microorganismos. O cloreto de ferro e o sulfato de alumínio
absorvem e precipitam a sujeira em suspensão, eliminando também cor, gosto e odores. O
carbono ativo retém micropoluentes e detergentes. Soda e cal neutralizam a acidez da
água. É a indústria química que fornece esses e outros produtos, permitindo ao homem
continuar a usufruir de um elemento essencial à vida: água pura e saudável.
Como alimentar uma
população em constante crescimento sem esgotar os recursos naturais do solo? A resposta
é dada pela química. É através de produtos químicos que se fertiliza a terra,
conservando e aumentando o seu potencial produtivo. A reposição de elementos como o
nitrogênio, fósforo, potássio e cálcio, entre outros, retirados pela ação de chuvas,
ventos, queimadas e constantes colheitas, é fundamental para manter a produtividade da
terra. Sem os fertilizantes químicos, áreas esgotadas ou impróprias à agricultura
teriam sido abandonadas, com consequente queda na produção de alimentos. Mais: novas
áreas agrícolas teriam de ser abertas, reduzindo as reservas de matas e florestas.
Também os defensivos químicos têm um importante papel nessa tarefa. Com eles, o
agricultor garante a qualidade dos alimentos, a produtividade das plantações e evita a
disseminação de doenças. Na pecuária, os medicamentos veterinários preservam a saúde
dos rebanhos, evitam epidemias e aumentam a produtividade. A química, como se vê, é
fértil em soluções que possam ajudar o homem a vencer o fantasma da fome.
A química está presente em
praticamente todos os medicamentos modernos. Sem ela, os cientistas não poderiam
sintetizar novas moléculas, que curam doenças e fortalecem a saúde humana. Mas a
aplicação da química vai além dos medicamentos. Ela cerca o homem de outros cuidados
que prolongam e protegem a vida. Fornecedor de uma quantidade fantástica de produtos
básicos para outras indústrias, o setor químico também desenvolveu matérias-primas
específicas para a medicina. Válvulas cardíacas, próteses anatômicas, seringas
descartáveis, luvas cirúrgicas, recipientes para soro, tubos flexíveis e atóxicos e
embalagens para coleta e armazenamento de sangue são apenas alguns dos exemplos dos
produtos de origem química que revolucionaram a medicina. Hospitais, clínicas,
laboratórios, enfermarias e unidades de terapia intensiva têm na química uma parceira
indispensável. Os modernos equipamentos utilizados em cirurgias ou diagnósticos foram
fabricados com matérias-primas químicas. Avançados desinfetantes combatem o risco de
infecções. Reagentes aceleram o resultado de exames laboratoriais. Na medicina, mais do
que em qualquer outra atividade, fica patente que química é vida.
A química nos acompanha 24
horas por dia. Ela está presente em praticamente todos os produtos que utilizamos no
dia-a-dia. Do sofisticado computador à singela caneta esferográfica, do possante
automóvel ao carrinho de brinquedo, não há produto que não utilize matérias-primas
fornecidas pela indústria química. Teclados, gabinetes e disquetes dos computadores,
para ficar apenas em alguns exemplos, são moldados em resinas plásticas. No automóvel,
há uma lista enorme de produtos de origem química: volantes, painéis, forração,
bancos, fiação elétrica encapada com isolantes plásticos, mangueiras, tanques de
combustível, pára-choques e pneus são apenas alguns desses itens. A maioria dos
alimentos chegou às nossas mãos em embalagens desenvolvidas pela química. Em nossas
roupas, há fibras sintéticas e corantes de origem química. Em nossa casa, há uma
infinidade de produtos fornecidos, direta ou indiretamente, pela indústria química: a
tinta que reveste as paredes, potes e brinquedos em plástico, tubos para condução de
água e eletricidade, tapetes, carpetes e cortinas. Isso sem falar nos componentes
químicos das máquinas de lavar roupas e louças, na geladeira, no microondas, no
videogame e no televisor. Nos produtos que utilizamos em nossa higiene pessoal e na
limpeza da casa também podemos perceber a presença da química. É só prestar
atenção. Nosso cotidiano seria realmente muito mais difícil sem a química. É para
ajudar o homem a ter mais saúde, mais conforto, mais lazer e mais segurança que a
indústria química investe dia-a-dia em tecnologia, em processos seguros e no
desenvolvimento de novos produtos. O resultado é o progresso.
Um dos principais ramos
industriais da química é o segmento petroquímico. A partir do eteno, obtido da nafta
derivada do petróleo ou diretamente do gás natural, a petroquímica dá origem a uma
série de matérias-primas que permite ao homem fabricar novos materiais, substituindo com
vantagens a madeira, peles de animais e outros produtos naturais. O plástico e as fibras
sintéticas são dois desses produtos. O polietileno de alta densidade (PEAD), o
polietileno de baixa densidade (PEBD), o polietileno tereftalato (PET), o polipropileno
(PP), o poliestireno (PS), o policloreto de vinila (PVC) e o etileno acetato de vinila
(EVA) são as principais resinas termoplásticas. Nas empresas transformadoras, essas
resinas darão origem a autopeças, componentes para computadores e para as indústrias
aeroespacial e eletroeletrônica, a garrafas, calçados, brinquedos, isolantes térmicos e
acústicos ...enfim, a tantos itens que fica difícil imaginar o mundo, hoje, sem o
plástico, tantas e tão diversas são as suas aplicações. Os produtos das centrais
petroquímicas também são utilizados para a produção, entre outros, de etilenoglicol,
ácido tereftálico, dimetiltereftalato e acrilonitrila, matérias-primas para a
produção dos fios e fibras de poliéster, de náilon, acrílicos e do elastano. As
fibras sintéticas, em associação ou não com fibras naturais como o algodão e a lã,
são transformadas em artigos têxteis e em produtos utilizados por diferentes
indústrias, como a de pneumáticos, por exemplo. E, a cada dia, surgem novas aplicações
para as fibras sintéticas e para as resinas termoplásticas. Resultado: maior produção,
menores preços e maior facilidade de acesso da população aos bens de consumo, gerando
mais qualidade de vida.
Veículos totalmente recicláveis, construídos
com materiais mais resistentes porém mais leves do que o aço. Moradias seguras e
confortáveis, erguidas rapidamente e a um custo mais baixo. Produtos que, ao entrar em
contato com o solo, são degradados e se transformam em substâncias que ajudam a
recuperar a fertilidade da terra. Plantações de vegetais que produzem plásticos.
Combustíveis de alto rendimento energético e não-poluentes. Medicamentos ainda mais
eficazes. Substâncias capazes de tornar inertes os esgotos de toda uma cidade.
Recuperação de áreas devastadas por séculos de exploração. Sonhos? Não para a
química, uma ciência que constantemente amplia as fronteiras do conhecimento. Voltada
para o futuro, a indústria química investe grande parte do seu faturamento em pesquisa e
desenvolvimento. Foi a indústria química que, com as fibras sintéticas, permitiu ao
setor têxtil ampliar a produção e baratear os preços das roupas. Com os plásticos,
foram criadas embalagens que conservam alimentos e remédios por longos períodos, tubos
resistentes à corrosão e peças e componentes utilizados pelas mais diferentes
indústrias. Isto para ficar apenas em alguns exemplos. Da mesma forma, será a indústria
química que facilitará ao homem desenvolver processos e materiais que lhe permitirão
assegurar alimento, moradia e conforto às novas gerações. Muito do futuro do homem e do
planeta está sendo desenhado hoje pela química.
Evitar ou controlar o impacto causado pelas atividades humanas ao meio ambiente é uma
preocupação mundial. Como em muitas outras atividades, a fabricação de produtos
químicos envolve riscos. Mas a indústria química, apontada por muitos anos como vilã
nas agressões à natureza, tem investido em equipamentos de controle, em novos sistemas
gerenciais e em processos tecnológicos para reduzir ao mínimo o risco de acidentes
ecológicos. Um exemplo da aplicação dessa nova visão é o Programa Atuação
Responsável®, coordenado em âmbito nacional pela Associação Brasileira da
Indústria Química - ABIQUIM. O Programa Atuação Responsável® estabelece
procedimentos de melhoria contínua em vários campos de atividade da indústria, com
destaque para a redução na emissão de efluentes, controle de resíduos, saúde e
segurança no trabalho e preparação para o atendimento a emergências. Todo o ciclo de
vida de um produto químico é detidamente analisado para evitar qualquer risco ao meio
ambiente, mesmo quando a embalagem é descartada pelo consumidor. Efluentes e resíduos
são tratados até se tornarem inertes. Sofisticados equipamentos de controle ambiental
estão em operação em várias empresas. Equipes são constantemente treinadas para
atuarem prontamente em caso de acidentes com produtos químicos, evitando riscos ao homem
e ao meio ambiente. A indústria química trabalha, investe e pesquisa para jogar limpo
com a natureza. Um jogo em que todos ganham.
Texto produzido pela Associação Brasileira da Indústria Química - ABIQUIM
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