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A Norma NBR 6028, da Associação
Brasileira de Normas Técnicas, define resumo como "apresentação
concisa dos pontos relevantes de um texto". Uma apresentação sucinta,
compacta, dos pontos mais importantes de um texto.
Esta definição pode, no entanto, ser melhorada: resumo é uma apresentação
sintética e seletiva das idéias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação
delas. Nele devem aparecer as principais idéias do autor do texto.
O resumo abrevia o tempo dos pesquisadores; difunde informações de tal modo que
pode influenciar e estimular a consulta do texto completo. Deve destacar:
o assunto do trabalho;
o objetivo do texto;
a articulação das idéias;
as conclusões do autor da obra resumida;
ser redigido em linguagem objetiva;
não apresentar juízo crítico;
ser inteligível por si mesmo (isto é,
dispensar a consulta ao original);
evitar a repetição de frases inteiras do
original;
respeitar a ordem em que as idéias ou fatos
são apresentados.
Para o pesquisador o resumo é um instrumento de trabalho.
Um resumo pode ter variadas formas: apresentar apenas um sumário das idéias do
autor, narrar as idéias mais significativas, condensar o conteúdo de tal modo que
dispense a leitura do texto original.
Os procedimentos para realizar um resumo incluem, em primeiro lugar, descobrir o
plano da obra a ser resumida. Em segundo lugar, a pessoa que está realizando-o deve
responder, no resumo, a duas perguntas: o que o autor pretende demonstrar? De que trata o
texto? Em terceiro lugar, deve-se ater às idéias principais do texto e a sua
articulação. Muito importante nesta fase é distinguir as diferentes partes do texto. A
fase seguinte é a de identificação de palavras-chaves. Finalmente, passa-se à
redação do resumo.
EXEMPLO DE
RESUMO: ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a
redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 184 p.
Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. Examina os
textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem, que buscam erigir uma
gramática do texto, uma teoria do texto. São objeto de seu estudo a coesão, o clichê,
a frase feita, o "não-texto" e o discurso indefinido. Parte de conjecturas e
indagações, apresenta os critérios para a análise, o candidato, o texto e farta
explicação.
ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular.
São Paulo: Mestre Jou, 1981. 284 p.
Examina 1.500 redações de candidatos a vestibulares (1978), obtidas da
FUVEST. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981.
Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise
na linguagem escrita, particularmente desses indivíduos. Escolheu redações de
vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. Sua
hipótese inicial é a da existência de uma possível crise da linguagem e, através do
estudo, estabelecer relações entre os textos e o nível de estruturação mental de seus
produtores. Entre os problemas, ressaltam-se a carência de nexos, de continuidade e
quantidade de informações, ausência de originalidade. Também foram objeto de análise
condições externas como família, escola, cultura, fatores sociais e econômicos. Um dos
critérios utilizados para a análise é a utilização do conceito de coesão. A autora
preocupa-se ainda com a progressão discursiva, com o discurso tautológico, as
contradições lógicas evidentes, o nonsense, os clichês, as frases feitas. Chegou à
conclusão de que 34,8% dos vestibulandos demonstram incapacidade de domínio dos termos
relacionais; 16,9% apresentam problemas de contradições lógicas evidentes. A
redundância ocorreu em 15,2% dos textos. O uso excessivo de clichês e frases feitas
aparece em 69,0% dos textos. Somente em 40 textos verificou-se a presença de linguagem
criativa. Às vezes o discurso estrutura-se com frases bombásticas, pretensamente de
efeito. Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a
refazer o discurso falho e a buscar a originalidade, valorizando o devaneio.
Segundo a NBR 6028, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, deve-se evitar o uso
de parágrafos no meio do resumo. Portanto, o resumo é constituído de um só parágrafo.
ESTILO E
EXTENSÃO
O resumo deve salientar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do
trabalho. Não é desejável que se esqueça de apresentar os objetivos e os assuntos do
texto original, bem como os métodos e técnicas de abordagem, mas sempre de forma
concisa. Também será objeto do resumo a descrição das conclusões, ou seja, as
conseqüências dos resultados.
A norma da ABNT recomenda que o resumo tenha até 100 palavras se for de notas e
comunicações breves. Se se tratar de resumo de monografias e artigos, sua extensão
será de até 250 palavras. Resumo de relatórios e teses podem ter até 500 palavras.
Quanto ao estilo, deve ser composto com frases concisas, evitando-se enumerar
tópicos. A primeira frase explica o assunto do texto. Em seguida, indica-se a categoria
do tratamento. Do que se trata? De estudo de caso, de análise da situação?
Preferencialmente, serão escritos os resumos em terceira pessoa do singular e com verbos
na voz ativa.
Resumo é, pois, uma apresentação concisa de elementos relevantes de um texto;
um procedimento de reduzir um texto sem destruir-lhe o conteúdo. Constitui-se em forma
prática de estudo que participa ativamente da aprendizagem, uma vez que favorece a
retenção de informações básicas.
TÉCNICAS DE
ELABORAÇÃO DE RESUMO
O resumo deve destacar:
Tipo de texto, o gênero a que se filia
(literário, didático, acadêmico).
Resumo do conteúdo: assunto do texto, objetivo,
métodos, critérios utilizados, conclusões do autor da obra resumida.
A elaboração de resumos exige mais habilidade de leitura que de escrita. O
resumo permite melhor compreensão das idéias expostas, uma vez que, para realizá-lo, é
necessário apreender a estrutura do parágrafo.
Não cabem no resumo comentários ou julgamentos apreciativos. E ainda
acrescentam que a dificuldade de resumir um texto pode advir da complexidade do texto
(vocabulário, estrutura sintática, relações lógicas), bem como da competência do
leitor. Para reduzir as dificuldades de elaboração de resumos, recomenda-se ler o texto
do começo ao fim, sem interrupções. Nesta fase inicial, responde-se à questão: de que
trata o texto? Na segunda leitura, decodificam-se frases complexas, recorre-se ao
dicionário para solução do vocabulário. Em terceiro lugar, segmenta-se o texto,
dividindo-o em blocos temáticos, de idéias (ou de espaço, ou de tempo, ou de
personagens) que tenham unidade de significação. Finalmente, redige-se o resumo com as
próprias palavras.
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