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Literatura Medieval
Trovadorismo (1189/1198)
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INÍCIO: Canção
da Ribeirinha - Paio Soares de Taveirós
TÉRMINO: Fernão Lopes é eleito cronista-mor da torre do Tombo
PAINEL DE ÉPOCA:
- Cristianismo
- Cruzadas rumo ao Oriente
- Luta contra os mouros
- Teocentrismo: poder espiritual e
cultural da Igreja
- Feudalismo
- Monopólio clerical
PRODUÇÃO
LITERÁRIA: PROSA E POESIA
I) A poesia do
trovadorismo: Cantigas
A) Cantigas líricas
Amor
- amor do trovador pela mulher amada.
- mulher idealizada.
- contemplação platônica.
- uso de meu senhor.
- sofrimento por amor.
- vassalagem amorosa.
- amor cortês.
- estribrilho ou refrão.
Amigo
- O trovador coloca-se no lugar da mulher
que sofre pelo amado que partiu.
- mulher concreta-real.
- conversa com a natureza.
- popular - mulher camponesa.
- uso do termo amigo =
namorado, amante, marido.
- paralelismo e refrão.
B) Cantigas satíricas
Escárnio:
- referências indiretas.
- ironia.
- ambigüidade (vocabulário de duplo
sentido).
- não se revela o nome da pessoa
satirizada.
Maldizer:
- sátira direta.
- maledicência
- uso de palavras obscenas ou de conteúdo
erótico.
- citação nominal da pessoa satirizada.
II) A PROSA DO TROVADORISMO
Hagiografia: relatos
bibliográficos de figuras canonizadas, escritos em latim.
Cronicões: relatam, de forma romanceada, os episódios históricos/sociais do
século XIV
Livros de linhagem: apresenta a
genealogia das famílias nobres
Novelas de Cavalaria:
- poemas que celebram acontecimentos
históricos, trazidos principalmente da França e Inglaterra.
- temos três ciclos:
a) Ciclo Bretão ou Arturiniano: Rei Artur e Cavaleiros
da Távola Redonda.
b) Carolíngio: Carlos Magno
c) Clássico: Antigüidade Greco Romana.
EXERCÍCIOS:
A) Textos:
Vi eu, mia madr, andar
as barcas eno mar:
e moiro-me damor.
Fui eu, madre,
veer
as barcas eno ler (1):
e moiro-me damor.
As barcas eno
mar
a foi-las aguardar:
e moiro-me damor
As barcas eno
ler
E foi-las atender (2)
e moiro-me damor
E foi-las
aguardar
e non o pudachar:
e moiro-me damor.
1. praia; 2. esperar.
II -
CANTIGA DE ESCÁRNIO
Ai, dona fea,
foste-vos queixar
porque vos nunca louv-en meu trobar
mais ora quero fazer un cantar
en que vos loarei toda via (1),
e vedes como vos quero loar
dona fea, velha e sandia (2).
Ai dona fea!
se Deus me perdon!
e pois havedes tan gran coraçon
que vos eu loe en esta razon (3),
vos quero já loar toda via,
e vedes qual será a loaçon:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea,
nunca vos eu loei
en meu trobar, pero (4) muito trobei;
mais ora já um bom cantar farei
en que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
1. para sempre;
2. louca, demente;
3. que eu a louve por este motivo;
4. porém, todavia.
III - CANTIGA DE
MALDIZER"
Meu senhor arcebispo, andeu
escomungado
porque fiz lealdade; enganou-me o pecado (1)!
Soltade-m, ai (2), senhor, e jurarei,
mandado
que seja traëdor.
Se traiçon fezesse, nunca vo-la
diria;
mais (3) pois fiz lealdade, vel (4) por Santa Maria,
soltade-m, ai, senhor, e jurarei, mandado
que seja traëdor.
Per mia maleventura tive hun en
Sousa
e dei-o a seu don e tenho que fiz gran cousa (5).
Soltade-m ai, senhor, e jurarei, mandado
que seja traëdor.
Por meus negros pecados tive hun
castelo forte
e dei-o a seu don, e hei medo da morte.
Soltad-m, ai, senhor, mandado
que seja traëdor.
1. o
demônio enganou-me;
2. absolvei-me, ai;
3. mas;
4. oh!, ah!, ai! (segundo Rodrigues Lapa);
5. parece-me ter cometido um ato grave (segundo
Rodrigues Lapa).
1) Identifique as principais
características dos três textos analisando suas diferenças.
2) Faça um estudo do eu-lírico nas
cantigas acima e explique esse tipo de produção literária da época medieval.
B) TESTES:
Rui
Queimado morreu con amor
en seus cantares, por Sancta Maria
por ua dona que gran ben queria,
e, por se meter por mais trovador,
porque lhela non quis [o] ben fazer(1),
fez - sel en seus cantares morrer,
mas ressurgiu depois ao tercer dia!
Esto fez el
por ua sa senhor
que quer gran ben, e mais vos en diria:
porque cuida que faz i maestria (2),
enos cantares que fez sabor(3)
de morrer i e desi dar viver (4);
esto faz el que xo pode fazer,
mas outromem per ren non [n] o faria.
E non há
já de sa morte pavor,
senon sa morte mais la temeria,
mas sabede ben, per sa sabedoria,
que viverá, des quando morto for
e faz - (s) en seu cantar morte prender,
desi ar viver: vede que poder
que lhi Deus deu, mas que non cuidaria.
E, si mi
Deus a mim desse poder,
qual oiel há, pois morrer, de viver,
jamais morte nunca temeria.
1. porque ela não lhe quis atender as
súplicas;
2. porque ele imagina que tem talento;
3. a gosto, satisfeito;
4. de aí morrer e, mais tarde, reviver.
1) A cantiga anterior é de autoria de Pedro Maria Burgalês. Por suas características
e conteúdo, ela é uma cantiga:
a) de amigo;
b) de escárnio;
c) de amor;
d) de maldizer;
e) n.d.a.
2) Fazem parte da prosa trovadoresca
em Portugal:
a) as hagiografias e as cantigas de maldizer;
b) os livros de linhagem e os cronicões;
c) as novelas de cavalaria e os romances;
d) os cronicões e as crônicas;
e) os livros de linhagem e os sonetos.
3) Assinale a alternativa incorreta:
a) Na cantiga de amigo, o eu-lírico feminino lamenta a ausência do amigo
distante;
b) Na cantiga de escárnio, a sátira é feita indiretamente e usam-se a ironia e as
ambigüidades;
c) Na cantiga de maldizer, o erotismo pode estar presente;
d) Na cantiga de amor, o apelo erótico é purificado e ocorre a idealização do amor;
e) Na cantiga de amigo, usa-se o refrão, mas não existe paralelismo.
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