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Romantismo no Brasil/Prosa
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CARACTERÍSTICAS GERAIS:
- A
conquista de um novo público leitor.
- Popularização
da literatura.
- Surgiram
4 tipos de Romances:
a) Romance urbano: vida social das grandes cidades com intrigas
amorosas.
b) Regionalista: características de cada região; as pessoas que
vivem longe das cidades.
c) Indianista: idealização do índio que vira um herói
convivendo com o homem branco.
d) Histórico: construção do passado colonial brasileiro.
PRODUÇÃO LITERÁRIA
I) Joaquim Manuel de Macedo
Boa estruturação nos enredos.
Linguagem coloquial.
Costumes da sociedade carioca (descrição).
Tramas suaves.
Final feliz.
Poder incontestável do amor.
O casamento como tema.
Tipos do universo burguês.
Obras principais: A Moreninha; O Moço Loiro; Os
Dois Amores; etc.
II) Manuel Antônio de Almeida
Precursor do Realismo: Memórias de um Sargento
de Milícias.
Tratou os personagens de forma imparcial.
Proximidade com o real.
Romance de costumes do século XIX.
Descrevia o povo simples dos subúrbios
cariocas.
Criou um anti-herói ou herói pitoresco.
O acontecimento é mais importante que o
personagem.
II) José de Alencar
Romances urbanos, regionalistas, indianistas e
históricos.
Destacou-se como um dos maiores romancistas do
Romantismo brasileiro.
Faz um grande painel do Brasil mostrando todos
os seus cantos.
Linguagem brasileira .
Idealização extrema de seus personagens.
Valorização do índio.
Aprovação da união entre colonizador e
colonizado em suas obras indianistas.
Apresenta caráter medieval em algumas obras.
Nos romances urbanos faz uma representação
crítica da sociedade da época.
É descritivo e detalhista.
Romances urbanos: romance de costume; sentimento
como enredo; retrato da vida urbana da burguesia.(Lucíola, A Pata da Gazela, Senhora,
etc.)
Romances regionalistas: relacionamento do ser
humano e a região que habita. Idealização do personagem. (O Gaúcho, O Sertanejo, O
tronco do Ipê).
Romances indianistas: exaltação do herói
romântico brasileiro; nacionalismo; a exaltação da natureza (O Guarani; Iracema,
etc.).
EXERCÍCIOS:
A) TEXTO / QUESTÕES:
Além,
muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que
tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna (1) e mais longos que seu talhe
de palmeira.
O favo da jati (2) não era doce como
seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena
virgem corria o sertão e as matas do Ipu (3), onde campeava sua guerreira tribo,
da grande nação tabajara (4). O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a
verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um
claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica (5), mais fresca
do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os
úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho: o aljôfar
dágua ainda o roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto
repousa, empena das penas do gará (6) as flechas de seu arco, e concerta com o
sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.
A graciosa ará (7) sua
companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama
a virgem pelo nome, outras remexe o uru (8) de palha matizado, onde traz a
selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá (9), as agulhas da juçara (10)
com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da
sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.
(Iracema - José de Alencar)
(1) é o pássaro conhecido de cor negra
luzidia. Seu nome vem por corrupção de guira - pássaro; e una abreviação de
pixuna-preto. (Nota do Autor).
(2) pequena abelha que fabrica delicioso mel. (Nota do Autor)
(3) chamam ainda hoje no Ceará certa qualidade de terra muito fértil, que forma grandes
coroas ou ilhas no meio dos tabuleiros o sertões, e é de preferência procurada para a
cultura. Daí se deriva o nome dessa comarca da província. (Nota do Autor)
(4) senhor das aldeias, de taba - aldeia e jara - senhor. Essa nação dominava o
interior da província, especialmente a Serra da lbiapaba. (Nota do Autor)
(5) árvore frondosa, apreciada pela deliciosa frescura que derrama sua sombra. (Nota do
Ator).
(6) ave paludal, muito conhecida pelo nome de guará. Penso eu que esse nome anda
corrompido de sua verdadeira origem, que é ig-água, e ará - arara: arara d'água, assim
chamada pelo bela cor vermelha. (Nota do Autor)
(7) periquito. Os indígenas como aumentativo usavam repetir a última sílaba da
palavra e às vezes toda a palavra, como murémuré. Muré - frauta, murémuré - grande
frauta. Arará vinha a ser, pois, o aumentativo de ará, e significaria a espécie maior
do gênero. (Nota do Autor).
A
partir da leitura do fragmento da obra Iracema, responda:
1)
Qual a realação da personagem principal com a natureza. Dê exemplos do texto.
2)
A descrição da personagem aponta para características românticas? Justifique om
o próprio texto.
3)
No último parágrafo, ela o homem branco. Qual a relação romântica entre o índio e o
homem branco.
B)
TESTES:
Relacione
os textos às características:
Texto
A________________________________
Eu
amo a noite taciturna e queda!
Amo a doce nudez que ela derrama,
E a fresca aragem pelas densas folhas
Do bosque murmurando.
Então
malgrado o véu que envolve a terra,
A vista, do que vela, enxerga mundos,
E apesar do silêncio, o ouvido escuta
notas de etéreas harpas."
Gonçalves Dias
Texto
B________________________________
"Já
sinto a geada dos sepulcros
o pavoroso frio enregelar-me...
A campa vejo aberta e lá no fundo
Um esqueleto em pé vejo acenar-me..
Entremos.
Deve haver nestes lugares
mudança grave na mundana sorte;
Quem sempre a morte achou no lar da vida,
Deve a vida encontrar no lar da morto.
Laurindo Rabelo
Texto
C________________________________
"Não
achei na vida amores
Que merecessem os meus.
Não tenho um ente no mundo
A quem diga o meu-adeus.
Não
posso da vida à campa
Transportar uma saudade.
Cerro meus olhos contente
Sem um ai de ansiedade.
Por isso, ó morte, eu amo-te e não temo:
Por ísso, ó morte, eu quero-te comigo.
Leva-me à região da paz horrenda
Leva-me ao nada, leva-me contigo."
Junqueira Freire
Texto D________________________________
Minha
terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso
céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques, têm mais-vida,
Nossa vida mais amores.
Em
cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha
terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá,
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá
Não
permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá,
Sem quinda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Gonçalves Dias
Texto
E________________________________
Passei
como D. Juan entre as donzelas,
Suspirei as canções mais doloridas
E ninguém me escutou...
Oh! nunca à virgem flor das faces belas
Sorvi o mel nas longas despedidas...
Meu Deus! ninguém me amou!
..................................................................
Vivi na solidão - odeio o mundo
E no orgulho embucei meu rosto pálido
Como um astro na treva...
Senti a vida um lupanar imundo -
Se acorda o triste profanado, esquálido
--- A morte fria o leva.
Álvares de Azevedo
Texto
F________________________________
Minh'alma
é triste como a flor que morre
Pendida à beira do riacho ingrato.
Nem beijos dá-lhe a viração que corre,
Nem doce canto o sabiá do mato!
E
como a flor que solitária pende
Sem ter carícias no voar da brisa,
Minh'alma murcha, mas ninguém entende
Que a pobrezinha só de amor precisa!
Casimiro de Abreu
Textos
Características
A (
) (l) Saudosismo
B (
) (2) Evasão pela morte
C (
) (3) Consciêncía de solidão
D (
) (4) Imaginação criadora, fantasia
E (
) (5) Sonoridade
F (
) (6) Indianismo (evasão pelo tempo)
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