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Literatura Portuguesa e Literatura Brasileira
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Literatura NeoClássica
Arcadismo (século XVIII)

INÍCIO: É fundada a arcádia Lusitana, em 1756.
T
ÉRMINO: Publicação do poema Camões, de Almeida Garret. (1825)
 
PAINEL DE ÉPOCA:

 

  • Fortalecimento da burguesia
  • Revolução Industrial
  • Urbanização
  • Iluminismo: século das luzes
  • União da Razão, da Ciência e do Progresso
  • Revolução Francesa

 PRODUÇÃO LITERÁRIA  
I) BOCAGE  (Portugal)

  • Grande identificação com Camões.
  • Escrevia com o pseudônimo Elmano Gadino.
  • Seqüência de amores não correspondidos apresentados em sua literatura.
  • Existência desregrada e libertina: dificuldades financeiras, amorosas, doenças, prisão, etc.
  • Manteve características árcades e pré-Românticas.
  • A natureza agradável, descrição tranqüila do amor, pureza e ao mesmo tempo apresenta uma alma atormentada.
  • Escreveu poemas líricos e satíricos.
  • Conhecido como grande sonetista.

 
II) TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA (Brasil)

  • Participou de Inconfidência Mineira, ao lado de Tiradentes.
  • Sua obra de destaque: Marília de Dirceu - fala do grande amor nutrido pela noiva.
  • Essa obra está dividida em duas partes:
    • Antes da prisão: otimismo, confiança.
    • Depois da prisão: decepção evidente, sofrimento, frustração.
  • Pseudônimo: Dirceu
  • Escreveu também: Cartas Chilenas - crítica aos portugueses e defesa da democracia e liberalismo.

III) CLÁUDIO MANUEL DA COSTA (Brasil)

  • Publicou Obras Poéticas, dando início ao arcadismo brasileiro.
  • Minucioso na métrica apresentando linguagem muito correta.
  • Pseudônimo: Glauceste Satúrnio
  • A natureza é um consolo para sua aflições.
  • Paisagem de Minas
  • Especializou-se na forma fixa: o soneto.

EXERCÍCIOS:

 A) TEXTO

 I -MARÍLIA DE DIRCEU

                  Parte I - “Lira I”

     “Eu, Marília, não sou nenhum vaqueiro,
     que viva de guardar alheio gado;
     de tosco (1)  trato, de expressões grosseiro,
     dos frios gelos, e dos sóis queimado.
     Tenho próprio casal (2)  e nele assisto (3) ;
     dá-me vinho, legume, fruta azeite;
     das brancas ovelhinhas tiro o leite,
     e mais as finas lãs de que me visto.
     Graças, Marília bela,
     graças à minha estrela!

     Eu vi o meu semblante numa fonte:
     dos anos inda não está cortado (4) ;
     os pastores, que habitam este monte,
     respeitam o poder do meu cajado.
     Com tal destreza (5)  toco a sanfoninha
     que inveja até me tem o próprio Alceste (6) ;
     ao som dela concerto (7)  a voz celeste
     nem canto letra, que não seja minha.
      Graças, Marília bela,
      graças à minha estrela!

     Mas tendo tantos dotes da ventura,
     só apreço (8)  lhes dou, gentil pastora,
     depois que o teu afeto me segura
     que queres do que eu tenho ser senhora.
     É bom, minha Marília, é bom ser dono
     de um rebanho, que cubra monte e prato;
     porém, gentil pastora, o teu agrado
     vale mais que um rebanho e mais que um trono
     Graças, Marília bela,
     graças à minha estrela!

 (fragmento de Marilia de Dirceu, “Lira I”.)

    1. rude.
    2. propriedade, casa.
    3. vivo.
    4. enrugado.
    5. habilidade.
    6. divindade clássica ligada à música.
    7. acompanhado.
    8. valor.

 
II -

    “Destes penhascos fez a natureza
     O berço em que nasci! oh quem cuidara,
     Que entre penhas (1)  tão duras se criara
     Uma alma terna, um peito sem dureza!

     Amor, que vence os tigres, por empresa (2)
     Tomou logo render-me; ele declara
     Contra o meu coração guerra tão rara,
     Que não me foi bastante a fortaleza.

     Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
     A que dava ocasião minha brandura,
     Nunca pude fugir ao cego engano:

     Vós, que ostentais (3)  a condição mais dura,
     Temei, penhas, temei; que Amor (4)  tirano,
     Onde há mais resistência, mais se apura.”

(Cláudio Manuel da Costa)

    1. penhascos, pedras.
    2. obrigação.
    3. mostrais.
    4. divindade clássica, Eros.

 
1) A partir da leitura do fragmento do texto I, analise as características Neoclássicas do autor exemplificando com o próprio poema.
 
2) Caracterize a relação do poeta (Dirceu - pseudônimo) com sua amada Marília.

3) Qual o papel da natureza no texto II? Analise o cenário árcade neste poema de Cláudio Manuel da Costa.
 

B) TESTES:

1) (PUC-Campinas) Podemos dizer que as principais características do movimento arcádico são:

a) a busca do claro, do racional, do verossímil e o desen-volvimento de temas pastoris.
b) o sentimento religioso, inspirado na Contra-Reforma.
c) presença do tema da morte e de temas pastoris.
d) apologia dos contrastes, onde cada palavra deveria ser símbolo conotativo de seu oposto.
e) n. d. a.

2) (PUC-CAMPINAS) Podemos entender a figura de Marília dentro das Liras de Tomás Antônio Gonzaga como:

a) uma personagem que vale pelas suas ações em busca de um ideal de libertação feminina dentro do que poderia permitir a sociedade do século XVIII.
b) um elemento bastante contraditório, uma vez que ora parece amar o poeta, ora parece desprezá-lo sem motivo aparente.
c) representando apenas “ocasiões” para o surgimento da paisagem bucólica, do mito grego e muitas vezes do ego do poeta.
d) tema central da obra, em que aparece num crescendo emotivo que desemboca na representação do extremo desespero do poeta por não ver o seu amor realizado.
e) n. d. a.

3) (MACK) Os ideais do “carpe diem”, “locus amoenus”  e “aurea mediocritas” são claramente perceptíveis em:

a) Primaveras
b) Broquéis
c) Crisálidas
d) Lira de Marília de Dirceu
e) Suspiros Poéticos e Saudades

4) “Apenas, Doroteu, o nosso chefe
     As rédeas manejou do seu governo,
     Fingir nos intentou que tinha uma alma
     Amante da virtude. Assim foi Nero.”

Aponte a alternativa incorreta com relação à obra da qual foi extraído o fragmento acima:

a) constitui-se de poemas satíricos em forma de carta que circularam pela cidade de Vila Rica antes da Inconfidên-cia Mineira.
b) sua autoria foi discutida, durante muito tempo, pelos historiadores.
c) narra os desmandos e arbitrariedades de Luís da Cunha Meneses, governador de Minas Gerais, apresentado como Fanfarrão Minésio.
d) Doroteu escreve de Santiago do Chile, para o amigo Critilo, que se encontra em Vila Rica.
e) Doroteu e Critilo são pseudônimos satíricos de Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga na obra em questão
.
 


Última Atualização: quinta-feira, 04 de maio de 2006 às 18:25
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