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Um
Novo Mundo
Jamais
um grupo de homens conheceu tantas coisas novas
sobre a Terra, em tão
pouco tempo, como na chamada era dos grandes
descobrimentos marítimos. Nos séculos XV e XVI , os europeus, tendo
à frente portugueses e espanhóis, se lançaram em pequeninas embarcações
aos oceanos, aos “mares nunca dantes navegados”. Eles descobriram,
visitaram ou conquistaram quatro imensos continentes de povos e os
colocaram em contato entre si.
Depois
disso a Terra não continuou a mesma: cada ser vivo e cada coisa
existente no planeta, de alguma maneira, foram afetados pelas conseqüências
dos grandes descobrimentos. O conhecimento e a compreensão que os
homens tinham do mundo não somente aumentou, como mudou. Começou um
novo tempo na história da humanidade, tão novo que, para medi-lo,
tornou-se necessário novos relógios.
Coisas
nunca vistas, nem mesmo sonhadas
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"Cosmographia"
de Cláudio Ptolomeu,
concebida no século II e reimpressa em 1482
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Para
os europeus, foi um tempo de surpresas, tempo de espantos. Cada um dos
quatro continentes, sozinho, era maior que a Europa inteira e possuía seus
próprios animais e plantas, muitos deles desconhecidos dos brancos, bem
como suas próprias paisagens, climas, riquezas naturais, seus cheiros,
sabores, cores (...).
Os
europeus descobriram seres humanos de todos os tipos físicos,
vivendo de variadas
maneiras e em diferentes estágios de desenvolvimento técnico.(...)
Entre
os índios da América encontravam-se povos muito pobres, mas também povos
ricos, como os astecas (no atual México) e os incas (no atual Peru), cujos
tesouros enlouqueceram os europeus e despertaram sua ganância: (...)
Na
Ásia os europeus depararam-se com grupos inteiramente isolados, preocupados
apenas em sobreviver. Mas encontraram também civilizações milenares, como
a chinesa e a hindu, que já haviam alcançado alto grau de refinamento e
sofisticação em todos os campos da expressão humana: nas artes, na
filosofia, nas ciências, na fabricação de tantos produtos (...).
Na
África os europeus defrontaram-se com uma maioria de negros, mas também
com povos de origem árabe, localizados na região norte e que professavam a
religião muçulmana. No continente africano tanto encontraram tribos
vivendo na Idade da Pedra como comunidades com elevado nível técnico, que
há muito navegavam pelo Oceano Índico, comerciando com a Ásia inteira, e
que se mostravam capazes de construir cidades como Kilwa (na costa leste, na
atual Tanzânia), (...).
(...)
Os grandes descobrimentos marítimos abriram para os povos da Terra um mundo
novo, variado, surpreendente. Um mundo onde seria absolutamente necessário
conviver com as diferenças, encarar o outro.
AMADO,
Janaína e GARCIA, Ledonias Franco.
Navegar é preciso – Grandes
descobrimentos marítimos europeus. São Paulo, Atual, 1989, p. 02 a
04. – (Coleção História em documentos)
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Mapa-mundi,
Henricus Martellus, produzido em Florença em 1489
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