Chamado "Esfinge de Delft"devido ao
mistério de sua vida, este pintor só é considerado secundário a Rembrandt, dentre
todos os artistas holandeses. Morou em Deft, sua cidade natal, até morrer, falido, aos 43
anos, deixando mulher e 11 filhos. Poucos são seus quadros sobreviventes, apenas de 35 a
40.
Além da mestria na cor e na luz, as composições equilibradas , de formas retangulares,
emprestavam serenidade e estabilidade a seus quadros. Uma tela típica retrata um aposento
limpo, fracamente iluminado por uma janela à esquerda e uma figura empenhada numa simples
tarefa doméstica. O que eleva o tema acima da banalidade é a incisiva representação da
realidade visual, as cores perfeitamente verdadeiras para o olho e a luz suave que se
irradia pela sala. Seus quadros não contêm história , paixão ou evento. Seu verdadeiro
tema é a luz, suave, doce, quase palpável, vagando pelas diversas superfícies da
imagem. Embora as pinceladas pareçam planas e detalhadas, Vermeer frequentemente aplicava
a tinta em esfregadelas e pontilhados de modo que a superfície saliente de um ponto na
pintura refletisse mais luz, dando vibração e textura tridimensional. Essa técnica se
aproximava do pontilhismo dos impressionistas. Este método de definir as formas, não com
linhas, mas com pontinhos de luz é evidente em "A cozinheira ", especialmente
no contorno da abertura da jarra de leite, um mosaico de
manchinhas. Vermeer foi também um mestre na variação de intensidade da cor em relação
à distância entre o objeto e a fonte de luz. O pão crocante captura a luz mais forte e
a reflete através de toques precisos de impasto (tinta aplicada em camada grossa).Atento
aos detalhes, Vermeer acrescentou à parede, manchas, buracos e até um prego. |