Goya protestou contra a brutalidade da guerra individualizando os rostos das
vítimas do pelotão de fuzilamento - este, sem cara. O poeta Baudelaire exaltou Goya por
"dar à monstruosidade o toque da verdade ". Ele iluminou a cena noturna
colocando no chão uma lâmpada que projeta uma luz forte. No fundo, a igreja está
escura, como se toda a luz da humanidade tivesse se extinguido. Cadáveres ensanguëntados
se lançam em direção ao espectador, enquanto uma fila de vítimas se estende na
distância. As vítimas do momento contituem o foco de interesse, com um homem de camisa
branca de braços bem abertos num gesto desafiador, mas impotente, lembrando o Cristo
crucificado. As sombras ácidas e a ausência de harmonia na cor sublinham a violência do
evento. Em outras pinturas daquela época, a guerra era sempre apresentada como um
espetáculo glorioso e os soldados como heróis.
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