David ,amigo do radical Robespierre, foi partidário ardoroso da Revolução e
votou a favor da guilhotina para o rei Luis XVI. Sua arte foi propaganda em prol da
república, com a intenção de "eletrificar", disse ele, e "plantar as
sementes da glória e da devoção para com a terra paterna". O retrato do líder
assassinado, "Morte de Marat", é sua obra-prima. Marat, amigo íntimo de David,
foi um revolucionário radical, que morreu apunhalado por um contra-revolucionário
durante o banho. (Antes de Revolução, enquanto se escondia da polícia nos esgotos de
Paris, Marat contraíra psoríase e tinha que trabalhar imerso num banho medicinal, usando
um caixote como escrivaninha.) Logo após o assassinato, David correu para o cenário do
crime, para registrá-lo. Embora o
fundo seja friamente vazio, a pintura de David enfatizou o caixote, a toalha manchada de
sangue e a faca que, como objetos reais, foram cultuados pelo público como relíquias
sacras. David retrata Marat como um santo , numa pose similar à de Cristo na
"Pietà"de Michelângelo.
Quando Robespierre foi guilhotinado, levaram David preso. Mas, em vez de perder a cabeça,
o flexível pintor tornou-se chefe do programa de arte de Napoleão . Mudou das
composições simples do seu período revolucionário para a pompa e a nobreza das
pinturas das conquistas do pequeno imperador, tais como "Coroação de Napoleão e
Josefina". Embora suas cores tenham se tornado mais vivas, David se ateve ao que
também aconselhava aos alunos: "não permitir que as pinceladas apareçam".
Suas pinturas têm um acabamento limpo, brilhante, liso como verniz. Durante 3 décadas, a
arte de David foi o modelo oficial do que se considerava ser a arte francesa e, por
extensão, a arte européia. |