Esta tela tinha como base um acontecimento contemporâneo, um naufrágio que
causou um escândalo político. O Medusa, navio do governo que transportava colonos
franceses para o Senegal, afundou na costa oeste da África devido à incompetência do
capitão, nomeado politicamente. O capitão e a tripulação foram os primeiros a evacuar
o navio e tomaram os barco salva-vidas, que puxavam uma jangada improvisada com 149
passageiros amontoados. A certa altura cortaram a corda que puxava a balsa, deixando os
emigrantes à deriva sob o sol equatorial por 12 dias, sem comida nem água, sofrendo
tormentas indizíveis. Só 15 sobreviveram. Géricault investigou o caso como um
repórter, entrevistando os sobreviventes para escutar suas histórias terríveis de fome,
loucura e canibalismo. Fez o máximo para ser autêntico , estudando corpos putrefatos e
esboçando cabeças decapitadas de vítimas da guilhotina e rostos de lunáticos num
asilo. Construiu uma jangada-modelo em seu ateliê e chegou a se amarrar ao mastro de um
pequeno barco num tempestade, para melhor poder retratar o desespero dos sobreviventes. A
linguagem dos corpos em luta, contorcidos, dos passageiros desnudos diz tudo a respeito da
luta pela sobrevivência, tema que obcecava o artista. |